Mousson nordestine
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(fr) Cette semaine, le gros mur de pierre qui soutien l’école de français où je donne cours s’est effondré. Rien ne laissait imaginer qu’il était dans un tel état, et il s’en est fallu de peu pour que tout le bâtiment ne le suive en contrebas de la rue. Mardi matin, en fin de matinée, des averses torrentielles se sont abattues sur Salvador. Normalement, pas de problème. La saison des pluies a commencé depuis la São José, suivant la précision millimétrique de l’horloge astro-liturgique brésilienne. C’est Joseph qui prend la place de Zeus pour déclencher la colère du ciel. En général, les dégats principaux se situent dans les quartiers périphériques, qui n’ont jamais reçu le minimum d’assainissement et d’urbanisme qui permettrait simplement de canaliser l’eau de pluie. Résultat, les glissements de terrain emportent souvent des maisons et enterre les habitants. Le sol des collines est en massapé, un type de terre qui se décolle facilement lorsqu’il est gonflé d’eau. Les choses ont pris une tournure catastrophique avec la stabilisation de la Zone de Convergence Inter-Tropicale au-dessus du Nordeste: |
(pt) Esta semana, o grande muro de pedra que segura a escola de francês,onde eu sou professor, desabou. Nada deixava pensar que se encontrava em tal estado, e foi perto de vermos o resto do prédio seguir para baixo da rua. Terça feira, no final da manhã, temporais alcançaram Salvador. Normalmente, não há problema. A estação das chuvas começou na São José, conforme a precisão milimêtrica do relógio astro-liturgico brasileiro. José tomou o lugar do Zeus para desencadear a ira do ceú. Em geral, os principais danos se encontram nos bairros periféricos, que nunca receberam o mínimo de saneamento e de urbanismo que permitiria de simplesmente canalizar as águas. Resultado, a água derruba as casas e a terra leva os moradores. O solo dos morros é de massapé, um tipo de terra que desgruda facilmente quando fica cheio de água. As coisas tomaram um rumo catastrofico com a estabilização da Zona de Convergência Intertropical em cima do Nordeste: |
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Dans le Nordeste, beaucoup de fleuves ont déjà débordé. Des villes comment Terezina (Piauí) et São Luis (Maranhão) sont innondées depuis plusieurs semaines. Les réservoirs sont pleins, et menaçent également de rompre leur digues. C’est une situation catastrophique, et le nombre de réfugiés atteint plusieurs dizaines de milliers de personnes. Et les choses ne s’arrêtent pas là. Au Brésil, le transport de marchandises se fait par route. Quand elles sont bloqués, les produits de base commencent à manquer. Dans certaines régions, le rationnement a déjà commencé et les prochains jours seront critiques. Au niveau sanitaire aussi, l’humidité amènera son lot de maladies et les décrues laisseront la place aux moustiques. Hier, on m’a dit, confiant: “Ah c’est la saison des pluies, c’est comme ça…” J’ai pourtant l’impession que les années précédentes n’ont jamais été aussi violentes. Les averses ressemblent davantage à une sorte de mousson indienne, capable d’innonder tout le Bengladesh. Sur l’Atlantique, les moussons atteignent le Golfe de Guinée, de l’autre côté de l’équateur:
La basse fréquence des pluies de mousson en Afrique pourrait se retrouver également dans le Nordeste. Ce qui apparaît clairement, c’est que cette année, la ZCIT est fortement descendue vers le sud dès le début de la saison. Pour le reste, ce n’est plus vraiment un problème climatique, mais bien humain. Rien n’est prévu dans la région, et les secours sont extrêmement lents à arriver sur place. Il n’y a aucune production d’aliments dans certains états, qui dépendent intégralement des importations pour survivre (le fait que celles-ci soient nationales ne change pas grand chose sur place). Même la réaction des gens et des médias est proche de zéro, si l’on compare la situation avec les efforts mis en place lorsque le même type de catastrophe a touché Santa Catarina. Heureusement, ce jour-là, il n’y avait aucun passant au pied de l’école de français. Pas de voiture non plus. Ce sera vite réparé, et la vie reprendra son cours. C’était juste pour rappeler qu’ailleurs, la pluie tue encore. |
No Nordeste, muitos rios já transbordaram. Cidades como Terezina e São Luis estão inundadas há semanas. Os açudes estão cheios, e ameaçam também romper. É uma situação catastrófica, e o número de refugiados atinge dezenas de milhares de pessoas. Mas as coisas não param por alí. No Brasil, o transporte se faz por rodovia. Quando elas estão bloqueadas, os produtos de base começam a faltar. Em algumas regiões, o racionamento já começou e os próximos dias são críticos. No nível sanitário também, a umidade vai trazer o seu lote de doenças, e a retirada das águas deixará espaço para os mosquitos. Ontem, alguém me falou, confiante: “Ah, são as chuvas, é sempre assim…” Mas eu tenho a impressão que os anos anteriores nunca foram tão violentos. As chuvas me parecem mais como as monções na Índia, capazes de inundar a Bengladeche toda. No Atlântico, as monções atingem o Golfo de Guiné, do outro lado do equador.
A baixa frequëncia das chuvas de monção na África poderia se encontrar também no Nordeste. O que aparece claramente, é que neste ano, a ZCIT desceu muito para o sul, desde o início da estação. O resto não é tanto um probema climático, e sim humano. Nada está previsto na região, e os secorros são muito lentos para chegar. Não tem quase nenhuma produção de alimentos em alguns estados, que dependem integralmente das importações para sobreviver (o fato que de estas serem nacionais não muda muita coisa). Até a reação das pessoas e da mídia é próxima a zéro, se comparada com os esforços feitos quando o mesmo tipod e catastrofe atingiu Santa Catarina. Felizmente, neste dia, não tinha pedestres na calçada em baixo da escola. Não tinha carro também não. Um pedreiro vai concertar, e a vida vai continuar. Foi apenas para lembrar que, em outros lugares, a chuva ainda mata. |
