Archives de juin 2009
Résonnance v0.6
|
(fr) Sixième partie de Résonnance. Une pièce de théâtre est donnée sur une place publique.
|
(pt) Sexta parte de Résonnance. Uma peça de teatro está apresentada em uma praça pública.
|
Nikolai Kardashev à Ekaterinbourg
|
(fr) Dans les années 1960, l’astrophysicien russe Nikolai Semenovich Kardashev a élaboré une échelle de développement technologique basée sur le niveau de production d’énergie d’une civilisation (wikipedia [en]). Le Type 1 de Kardashev envisage que la civilisation en question tire son énergie d’une planète entière. Cela signifie donc qu’elle s’est structurée de manière à pouvoir gérer l’ensemble de cette planète. De cette échelle technologique, on peut donc sous-entendre une forme d’organisation de la société: on passe alors de la production d’énergie au niveau d’intégration des ressources et des régions entre elles.
L’utilisation outrancière du bras armé du modèle américain depuis la fin de la Guerre Froide, que ce soit en Amérique Centrale ou en Iraq, a lentement provoqué sa mutation en Empire – chargé de diriger l’extraction des ressources et la production d’énergie à l’échelle planétaire. L’éventualité de son déclin, ou de sa chute, mise en valeur par la récente crise internationale (pulse [en]), provoque l’apparition d’alternatives. Traditionnellement, la propre épithête d’empire fait que l’on s’attende naturellement à ce que la prochaine étape corresponde à l’éclatement de l’espace américain en plusieurs entités indépendantes. Or, le contenu idéologique du système impérial américain permet de proposer une approche radicalement différente. Si l’on en croit des auteurs tels que Fukuyama, Friedman ou Shermer (la times [en]), le modèle recherché ne se caractérise pas par main-mise d’une sorte d’État central, incarné par Washington, sur l’ensemble des ressources planétaires (ce serait un Empire à la mode romaine), mais mais plutôt par l’existence d’une série d’entités indépendantes interliées – généralement imaginées sous la forme de démocraties libérales capitalistes. L’Empire américain devient donc un simple instrument permettant de créer ces entités indépendantes, et de les mettre en relations entre elles, par la force s’il le faut. Le Sommet des BRIC (Brésil, Russie, Inde, Chine) à Ekaterinbourg n’a pas révélé de profond changement de perspective face à la nécessité de repenser le système mondial. Au contraire, la déclaration finale oscille entre deux alternatives (kremlin [en]):
En substance, la nouvelle ère qu’on nous présente apparaît presque neuve – de nouvelles têtes apparaissent, comme celle du président brésilien ou du premier ministre indien. En revanche, lorsqu’elle copie à la lettre le modèle précédent, on se rend compte du chemin qu’il reste à parcourir (upasia [en]). Si tout le monde est d’accord pour dire qu’il faut changer le système, le modèle des démocraties libérales indépendantes reste solidement ancré dans les mentalités. Kardashev évoquait déjà la difficulté de passer d’un niveau à l’autre – la différence entre l’énergie produite par une simple planète (type 1) et celle produite par une étoile, par exemple, suppose une sérieuse conquête spatiale (type 2). Difficulté matérielle, certainement, mais surtout culturelle : il faut parvenir à la formulation d’une nouvelle structure, dont l’objectif est réellement la gestion des ressources à l’échelle globale. Et parallèlement, repenser la production d’énergie. Pour l’heure, l’horizon est toujours limité à une idéalisation de l’État-Nation, coulé dans un système .
|
(pt) Nos anos 60, o astrofísico russo Nikolai Semenovich Kardashev elaborou uma escala de desenvolvimento tecnológico baseada no nível de produção de energia de uma civilização (wikipedia [en]). O Tipo 1 de Kardashev caracteriza uma civilização capaz de tirar energia de um planeta inteiro. Isso significa também que ela se estruturou de tal modo que possa manejar todo este planeta. Da escala tecnológica, podemos então subentender uma forma de organização da sociedade: passamos da produção de energie ao nível de integração dos recursos e das regiões entre si.
O uso excessivo do braço armado do modelo americano desde o final da Guerra Fria, seja na América Central ou no Iraque, provocou lentamente a sua mutação em Império – encarregado de liderar a extração dos recursos naturais e a produção de energia na escala do planeta. A possibilidade do seu declino, ou da sua queda, que começou a ser enxergada na recente crise internacional (pulse [en]), provocou a busca por alternativas. Tradicionalmente, o próprio nome de império faz que a gente pensa naturalmente na próxima etapa como a explosão do espaço americano em várias entidades independentes. No entanto, o conteúdo ideológico do sistema imperial americano permite propor uma interpretação radicalmente diferente. Ao lermos autores como Fukuyama, Friedman ou Shermer (la times [en]), o modelo procurado não se caracteriza pela autoridade de um Estado central, encabeçado por Washington, sobre os recursos do planeta (seria um império nos moldes romanos), mas bem pela existência de várias entidades independentes interligadas – e geralmente imaginadas com a forma de democracias liberais capitalistas. O Império americano se torna então o mero instrumento que permite criar estas entidades independentes, e de pôr-las em relação entre si, pela força se for preciso. A Cúpula dos BRIC (Brasil, Russia, Índia, China) em Ekaterinburgo não revelou profundas mudanças de perspetivas em frente à necessidade de se repensar o sistema mundial. Ao contrário, a declaração final balança entre duas alternativas (kremlin [en]):
Parece então a nova era apresentada algo quase novo – novas cabeças aparecem, como a do presidente brasileiro ou do primeiro ministro indiano. No entanto, quando ela copia no pé da letra o modelo anterior, é possivel perceber o longo caminho que fica pela frente (upasia [en]). Se todo mundo concorda para mudar de sistema, o modelo das democracias liberais independentes ainda está fortemente ancorado nas mentalidades. Kardashev já falava da dificuldade de passar de um nível para o outro – a diferência entre a energia produzida por um simples planeta (tipo 1) e aquela produzida por uma estrela, por exemplo, supõe uma conquista do espaço bastante séria (tipo 2). Dificuldade material, com certeza, mas sobretudo cultural: é preciso definir uma nova estrutura, cujo objetivo seja realmente o manejo dos recursos naturais na escala global. E repensar a produção de energia. Por enquanto, o horizonte está limitado na idealização do Estado-Nação.
|
Un réseau préhistorique?
|
(fr) J’avais d’abord imaginé que le réseau des peintures des sites que j’ai vus à Morro do Chapéu étaient liés entre eux. C’est un constat presque immédiat quand on est devant les figures. Mais au fur et à mesure que j’avance, je dois bien avouer que le réseau est beaucoup plus étendu qu’il n’y paraissait à première vue. En réalité, il semble directement relié à deux sous-traditions graphiques qui sont déjà bien documentées, au sein de la tradition Nordeste:
L’intérêt de ce nouveau lien, c’est que les fouilles archéologiques réalisées sur des sites appartenant à ces sous-traditions ont déjà revélé des dates – ou du moins, elles ont donné une certaine fourchette. Dans le cas de Várzea Grande, des couches datables recouvraient une série de peintures, établissant donc un terminus ante quem (le moment avant lequel on peut être certain qu’elles ont été peintes) vers 5000 avant le présent. Pour le Seridó, plusieurs squelettes ont été retrouvés sur le site de Carnaúba dos Dantas, datés entre 2600 et 9400 avant le présent. Actuellement, les peintures de la Chapada Diamantina sont inclues dans une sous-tradition appelée Central, du nom d’une commune de la région. Dans le cas qui nous occupe, on dirait au contraire que des traditions présentes ailleurs soient descendues jusqu’à la Chapada Diamantina. En tout cas, à un certain moment donné : il est toujours possible que des groupes se succèdent sans que cela ne soit nécessairement perceptible à l’oeil nu. |
(pt) Primeiro, imaginei que a rede das pinturas dos sítios que eu vi em Morro do Chapéu, BA, estavam ligados entre si. É uma conclusão fácil de se fazer, ao ver as figuras. Mas agora que eu estou avançando, devo admitir que a rede é muito mais extensa do que parecia. Na verdade, parece diretamente ligada com duas sub-tradições gráficas que já estão bem documentadas, no âmbito da tradição Nordeste :
O interesse desta nova ligação, é que as pesquisas arquéológicas realizadas em sítios destas subtradições já revelaram data – ou pelo menos, alguma escala de tempo. No caso de Várzea Grande, câmadas dataveis recobriam uma série de pinturas, estabelecendo assim um terminus ante quem (o momento antes do qual podemos ter certeza que foram pintadas) por volta de 5000 antes do presente. Em relação ao Seridó, vários esqueletos foram encontrados no sítio de Carnaúba dos Dantas, datados entre 2600 e 9400 antes do presente. Atualmente, as pinturas da Chapada Diamantina estão reunidas em uma subtradição chamada Central, do nome de um município na região. No caso que nos interessa, parece que outras tradições presentes em outros locais, se espalharam até a Chapada Diamantina. Ou pelo menos, em algo momento : grupos diferentes podem aparecer no mesmo sítio em épocas diferentes sem que isso seja necessariamente perceptível. |
Les peintures de subtradition Seridó, dans le Rio Grande do Norte, sont étrangement similaire à celle de la Toca do Pepino. |
|
Le real, future monnaie unique?
|
(fr) En s’inspirant ouvertement de la politique du gouvernement de Luiz Inácio « Lula » da Silva, le nouveau Président de El Salvador, Mauricio Funes, ouvre une nouvelle brêche en Amérique Centrale (estadão [pt]). Jusqu’alors, le Brésil était toujours resté sagement hors de la région, et la nouveauté fait pousser des cris de victoire aux partisans de la « troisième voie » du Président brésilien. Troisième, dans le sens où la politique de Brasília diffère de celle de Washington ou de Caracas. Aucune Initiative Merida (wikipedia [en]), aucune Alternative Boliviarienne (wikipedia [es]), n’a été à ce jour lancée par Brasília. L’influence brésilienne grandit donc dans une sorte de flou, qui fonctionne par exclusion, dans l’espace qui existe entre deux extrêmes de la realpolitik laissée par George Bush et les envolées lyriques de Hugo Chavez. Cette indéfinition évolue certainement autour du charisme de Lula, et de sa position de médiateur sur différents enjeux, comme la question cubaine au cours du dernier Sommet des Amériques, ou la place de la Colombie d’Uribe face aux autres pays. En mai 2008, peu après la création de l’UNASUL, Lula annonçait :
Jusque là, pas de flou. Pas de doute. Plus gros pays du continent, le Brésil vise son intégration politique, économique, et même sociale et culturelle. C’est le genre de déclaration qui sort du Forum de São Paulo, un espace de dialogue entre partis de gauche (radicaux ou não) formé dans les années 90 pour s’opposer à Bush Ier. Mais dans le même temps, voici ce qui se passe :
Pour comprendre ce flou artistique, il faut garder à l’esprit la volonté de statut du Brésil, qui cherche depuis longtemps à s’affirmer sur la scène internationale. Malheureusement, ni le charisme de Lula ni l’Amazonie – et encore moins les exportations soja – ne vont, à eux seuls, amener les puissances traditionnelles à respecter le pays. Il faut aussi reconnaître le revers de la pièce, qui est particulièrement visible depuis le début de la crise financière : la fragilité du dollar, et en conséquence, du commerce sur tout le continent.
L’intégration continentale devient donc un élément central dans la politique internationale brésilienne. Or, comme l’a affirmé Lula lui-même, c’est un processus lent. L’utilisation de la monnaie brésilienne, le real, dans les transactions sud-américaines, permettrait d’accelérer toute l’histoire, et de donner ce cher statut au monde politique de Brasília. Le prix à payer sera celui d’une hégémonie à gérer, semblable à celle des États-Unis qui est tant critiquée. |
(pt) Inspirado abertamente pela política do governo de Luiz Inácio « Lula » da Silva, o novo Presidente de El Salvador, Mauricio Funes, abre uma nova porta no América Central (estadão [pt]). Até então, o Brasil sempre ficou fora da região, e a novidade faz pular de alegria os partisãos da « terceira via » do Presidente brasileiro. Terceira, no sentido em que a política de Brasília é diferente daquela que existe em Washington ou em Caracas. Nenhuma Iniciativa Merida (wikipedia [en]), nenhuma Alternativa Bolivariana (wikipedia [es]), jamais foi criada em Brasília. A influência brasileira cresce então em meio à uma tipo de neblina, que funciona por exclusão, no espaço que existe entre os dois extremas da realpolitik herdada de George Bush e as declarações líricas de Hugo Chavez. Tal indefinição evolue claramante em volta do carisma do Lula, e da sua posição de mdiador em vários temas, como na questão cubana durante a última Cúpul das Américas, ou o papel da Colombia de Uribe em frente aos outros países. Em maio de 2008, pouco tempo após a criação da UNASUL, Lula anunciava :
Até então, não tem neblina. Não tem dúvida. Maior país do continente, o Brasil procura a sua integração política, econômica, e até social e cultural. É o tipo de declaração que saí do Fóro de São Paulo, um espaço de diálogo entre partidos de esquerda (radical ou não) formado no anos 90 para opôr-se à política do Bush. Mas ao mesmo tempo, acontece o seguinte :
Para entender este fosco artístico, é preciso lembrar que o Brasil está a procura de um estatuto, e que ele quer se afirmar na cena internacional há muito tempo. Infelizmente, nem o carisma do Lula nem a Amazônia – e ainda menos as exportações de soja – vão levar assim as potências tradicionais a respeitar o país. É preciso reconhecer o outro lado da moeda, que se torna particularmente visível desde o início da crise financeira: a fraqueza do dólar e, consequentemente, do comercio no continente todo.
A integração continental se torna então um elemento central na política internacional brasileira. No entanto, como o Lula afirmou, trata-se de um processo lento. O uso da moeda brasileira, o real, no comércio sul-americano poderia accelerar toda esta história, e dar aquele estatuto tão procurado pelo mundo político de Brasília. O preço a pagar é a necessidade de gerenciar a hegemonia, que se tornará inevitavelmente parecida à dos Estados Unidos, tão criticada. |
Les peintures de subtradition Seridó, dans le Rio Grande do Norte, sont étrangement similaire à celle de la Toca do Pepino.