G20: Des milliards pour le FMI

(fr)

Publié avant l’annonce de la déclaration des membres du G20, cet article de Warden Bello, de Focus on the Global South (en) et du Third World Network (en), s’intéresse au Fond Monétaire International. Curieusement, c’est justement sur le FMI que les mesures du G20 se sont concentrées: il verra son budget élevé 750 milliards de dollars, et gagnera 250 milliards supplémentaires pour financer la reprise du commerce mondial… L’original est publié sur le site de Focus on the Global South (en) :

« Tout d’abord, la question de la représentation continue à fortement concerner le Sud global. Jusqu’ici, quelques modifications marginales ont été faites dans l’allocation du droit de vote au FMI. Malgré les demandes pour plus de voix pour les membres issus du Sud global, les pays riches sont toujours surreprésentés au niveau de l’exécutif du Fond, et les pays en développement, notamment ceux d’Asie et d’Afrique, sont largement sous-représentés. L’Europe occupe un tiers des charges exécutives, et en appelle au droit féodal pour qu’un Européen occupe la place de directeur. Les États-Unis, pour leur part, disposent d’environ 17% des votes, ce qui leur donne un droit de véto.

De plus, les performances du FMI au cours de la crise asiatique de 1997 ont torpillé sa propre crédibilité. Le FMI a participé activement à l’avènement de la crise en poussant les pays asiatiques à éliminer leur contrôle sur les capitaux et à libéraliser leurs secteurs financiers, favorisant tant l’entrée massive de capital spéculatif que leur sortie déstabilisante aux premiers signes de la crise. Le Fond a ensuite poussé les gouvernements à diminuer leurs dépenses, suivant la théorie que c’était l’inflation qui posait problème, quand au contraire, il aurait dû les pousser à de plus grandes dépenses publiques pour contrer la chute du secteur privé. Cette mesure pro-cyclique a fini par accélérer la chute régionale vers la récession. Finallement, les milliards de dollars des fonds de sauvetage du FMI n’ont pas sauvé les économies en crise, mais ils ont compensé les pertes des institutions financières étrangères – un développement qui est devenu un cas d’école de « danger moral » ou d’incitation à une attitude irresponsable.

La Thailande a remboursé le FMI en 2003 et a déclaré son « indépendance financière ». Le Brésil, le Vénézuela et l’Argentine ont suivi, puis l’Indonésie a annoncé son intention de rembourser sa dette le plus vite possible. D’autres pays ont aussi décidé de rester à l’écart, en construisant des réserves externes pour se protéger des risques, plutôt que de prendre de nouveaux emprunts du FMI. Ce qui a mené celui-ci à une crise budgétaire, puisque la plupart de ses revenus venaient du paiement de la dette par les plus gros pays en développement.

Les partisans du Fond disent que le FMI voit enfin les mérites de dépenses déficitaires et que, comme Richard Nixon, il peut maintenant dire « Nous sommes tous Keynésiens à présent ». Beauoup de critiques n’approuvent pas. Eurodad, une ONG qui analyse les emprunts du FMI, estime que le Fond applique toujours des conditions onéreuses à ses prêts aux pays en développement. Les prêts les plus récents incitent toujours à la libéralisation financière et banquière. Et malgré le récent succès du stimulus fiscal – avec certains pays, comme les USA, encourageant les gouvernements à augmenter leurs dépenses jusqu’à au moins 2% de leur PIB – le FMI exige encore que ses emprunteurs aux revenus les plus bas maintiennent leur déficit inférieur à 1% du PIB.

Enfin, il y a la question de savoir si le Fond sait bien ce qu’il est en train de faire. L’un des facteurs-clés discréditant le FMI réside dans sa quasi totale incapacité à anticiper la crise financière actuelle. À la conclusion de sa consultation en 2007 aux États-Unis, le FMI a déclaré que « le système financier a montré une force impressionnante, notamment à propos des récentes difficultés dans le marché des hypothèques subprime. » Bref, le Fond n’a pas seulement misérablement manqué à sa propre politique de prescriptions, mais malgré ses supposés économistes de haut niveau, il s’est cruellement trompé dans ses responsabilités de surveillance. »

(pt)

Publicado antes do anuncio da declaração dos membros do G20, este artigo de Warden Bello, do Focus on the Global South (en) e do Third World Network (en), trata do Fundo Monetário Internacional. Curiosamente, é justamente sobre o FMI que as medidas do G20 se concentraram: terá um orçamento de 750 bilhões de dólares, com 250 outros bilhões para financiar a retomada do comércio mundial… O original do artigo está publicado no site de Focus on the Global South (en):

« Primeiro, a questão da representação levanta muita preocupação no Sul global. Até agora, mudanças marginais foram feitas em relação à distribuição do direito de voto no FMI. Mesmo com pedidos de maior poder de voto para os membros do Sul global, os países ricos estão ainda super-representados na direção executiva do Fundo e os países em desenvolvimento, especialmente os da Ásia e da África, estão muito sub-representados. A Europa possui um terço dos cargos executivos e ainda exige o direito feudal de ter um Europeu sempre ocupando o cargo de diretor. Os Estados Unidos, por sua parte, tem quase 17% dos votos, equivalendo a um veto.

Segundo, as performances do FMI durante a crise asiática de 1997 afundaram mais que tudo, a sua credibilidade. O FMI ajudou a criar a crise, empurrando os países asiáticos em eliminar o controle dos capitais e liberalizar os setores financeiros, promovendo tanto uma entrada maciça de capital especulativo quanto a sua saída desestabilizadora nos primeiros sinais de crise. Depois, o Fundo incentivou os governos a cortar os gastos públicos, seguindo a teoria que dizia que a inflação era o problema, quando deveria ter incentivado maiores gastos para enfrentar o colapse do setor privado. Esta medida pró-cíclica acabou acelerando a entrada regional em recessão. Finalmente, os bilhões de dólares dos fundos de resgate do FMI não resgataram as economias caindo, e sim compensou as perdas das instituições financeiras estrangeiras – uma situação que se tornou exemplo perfeito de “perigo moral” ou de incentivo à irresponsabilidade.

A Tailândia reembolsou o FMI em 2003 e declarou a sua “independência financeira”. O Brasil, a Venezuela e a Argentina seguiram, e a Indonésia também declarou a sua intenção de reembolsar a sua dívida o mais cedo possível. Do mesmo modo, outros países decidiram se afastar, preferindo constituir as suas reservas externas para se proteger dos riscos, em vez de pedir novos empréstimos ao FMI. Isso levou a crise orçamentária do FMI, já que a maioria da sua renda vem do pagamento da dívida pelos maiores países em desenvolvimento.

Os defensores do Fundo dizem que o FMI enxergue hoje os méritos dos gastos públicos maciços e que, como Richard Nixon, pode agora dizer “Somos todos Keynesianos.” Muitos críticos discordam. Eurodad, uma ONG que análise os empréstimos do FMI, declara que o Fundo ainda vincula condições onerosas aos seus empréstimos para países em desenvolvimento. Os empréstimos recentes do FMI ainda incentivam as liberalizações das finanças e dos bancos. Embora o sucesso atual dos estímulos fiscais – alguns países, como os Estados Unidos, promovendo as despesas de estímulo até 2% do PIB – o FMI ainda requer que seus devedores não ultrapassem 1%.

Finalmente, tem a questão de saber se o Fundo sabe o que ele está fazendo. Um dos fatores para o descrédito do FMI está na sua quase total incapacidade de antecipar a crise financeira atual. No final da sua consulta em 2007 nos Estados Unidos, o FMI afirmou que “o sistema financeiro mostrou uma força impressionante, inclusive em frente às dificuldades recentes no mercado das hipotecas subprime.” Em breve, o Fundo não só errou miseravelmente nas suas prescrições, mas contando até com supostos economistas de alto nível, se deu mal nas suas responsabilidades de controle. »

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Comments
One Response to “G20: Des milliards pour le FMI”
  1. synaptique dit :

    Paru dans People Daily, une analyse évoque l’influence de la Chine au FMI après le nouvel accord;

    La Chine a annoncé qu’elle contribuerait au FMI à hauteur de 40 milliards de dollars pour augmenter sa capacité financière. C’est une petite partie du total, mais elle ferait passer le droit de vote chinois de 3.807% à 3.997%.
    La nouvelle part de vote chinoise reste encore loin derrière celles des États-Unis, qui est la première, avec 17%.
    Pourtant, comme la part de vote de nombreux pays au FMI n’atteint pas la barre des 1%, tout changement donne une voix supplémentaire dans les travaux de l’organisation multilatérale. Ainsi, ce changement potentiel est un petit pas dans la direction de l’objectif de la Chine d’avoir plus d’influence sur la manière dont le FMI et le monde financier fonctionnent.

    Publicada no People Daily, uma análise detalha a influencia da China no FMI após o novo acordo:

    A China anunciou que contribuaria com 40 bilhões para aumentar a capacitade financeira do FMI. Trata-se de uma pequena quantia do total, mas elevaria os direitos de voto da China de de 3.807% para 3.997%.
    A nova parte chinesa ainda fica muito atrás da parte dos Estados Unidos, que são os primeiros, com 17%.
    No entanto, como a parte de muitos países no FMI não alcance 1%, qualquer modificação dá uma influência adicional nos trabalhos da organização multilateral. Assim, esta mudança potencial é um pequeno passo na direção do objetivo da China de obter mais influência sobre como o FMI e o mundo financeiro operam.

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