L’archéologie brésilienne

(fr)

À la fin de son livre O Brasil antes dos brasileiros (Zahar, 2007, 142 p.), André Prous dresse un panorama de l’archéologie brésilienne. Je ne l’avais pas encore terminé quand j’ai écris mon précédent article, mais il vient appuyer ma première impression (pp. 128-131):

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(pt)

No final do seu livro O Brasil antes dos brasileiros (Zahar, 2007, 142 p.), André Prous faz uma apresentação da arqueologia brasileira. Não tinha acabado de ler na hora do meu artigo anterior, mas aparece que ele vem apoiar a minha primeira impressão (pp. 128-131):

L’archéologie brésilienne a encore beaucoup de travail devant elle: réunir une documentation représentative de chaque partie du territoire national, qui permette d’aborder des problèmes tels que les modalités de peuplement initial, les processus de colonisation systématique des espaces, le développement de la gestion de la nature (et, éventuellement, de la domestication ou de l’importation de plantes cultivées) e les différentes stratégies de survie qui ont coexisté pendant des millénaires. Surtout, il faut vérifier les modalités de la longue coéxistence entre des groupes socialement et économiquement disparates, dont la variété se cache derriére le mot « tribu », appliqué à tous. Cela nous amènera peut-être à découvrir des phénomènes sociaux absents des modèles scientifiques traditionnels, tels que les formes avec lesquelles des groupes disctints semblent d’être articulés d’une manière différente que dans d’autres parties du monde, la façon avec laquelle ces changements apparaissent dans les vestiges, ou les transformations des sociétés indigènes à la suite du contact avec la colonisation.

Pour que tout ce travail soit réalisé, dans un pays aux dimensions continentales, et dont la majeure partie est toujours complètement méconnue du point de vue archéologique, il y a peut-être deux centaines d’archéologues – la majorité d’entre eux à peine formés, et même dans ces cas-là, de manière assymétrique. De fait, il n’y a pas de graduation en archéologie dans le pays, et la maîtrise en deux ans semble bien trop courte pour préparer un professionnel que devra s’occuper de ressources du patrimoine non-renouvelable à partir d’un abordage pluri-disciplinaire, et surtout lorsque cette maîtrise n’est pas spécialement dédiée à l’archéologie, mais bien à l’histoire ou à l’anthropologie, avec à peine une « spécialisation » dans la discipline.

D’un autre côté, le travail, d’abord purement académique, a fini par être presque totalement occupé par l’initiative privée, via l’archéologie « de contrat », dont l’objectif est d’étudier les impacts environnementaux de projets d’entreprises (bassins, routes, lignes de haute-tension, gasoducs) et libérer – après une rapide intervention sur les éventuels sites archéologiques localisés sur les zones menacées – le terrain pour les chantiers. L’archéologie de contrat est une nécessité pour éviter la perte d’informations précieuses et elle pourrait même fournir une excellent contribution à la science, en particulier dans les régions inexplorées. Mais elle est insuffisemment règlementée, et peu de projets font une etude de terrain adéquate – encore moins en laboratoire. Il n’y a pas de publication scientifique, dans la plupart des cas, ni de contrôle de qualité par les experts. Enfin, les objectifs fondamentaux des interventions de contrat, puisqu’ils ne sont pas scientifiques, ne visent pas à aborder les problèmes archéologiques à partir des préoccupations académiques. Il revient donc aux archéologues concernés de dépasser ces limitations.

Bref, l’archéologie de « sauvetage », aux aspects plus techniques, doit apparaître comme complément pour enrichir les recherches scienifiques réalisées par les universitaires. Malheureusement, ce n’est pas ce qui se passe. La recherche académique a été presque abandonnée au Brésil, même par les rares archéologues universitaires, dont la plupart préfèrent profiter des facilités financières offertes par l’initiative privée et essayent rarement de concilier les objectifs économiques avec ceux des entreprises. En conséquence, on court aujourd’hui le risque de voir la recherche vraiment scientifique dirigée presque exclusivement par les groupes de recherche étrangers. On perd ainsi une chance de créer une archéologie régionale indépendante, qui pourrait enrichir la science avec un point de vue original. Même sans tenir compte de considérations nationalistes, il est dommage de voir que cela se passe, car la « science-diversité » est aussi importante que la biodiversité. La société moderne occidentale, après avoir promu la domination et l’élimination des groupes et des concepts des autres pendant deux siècles, commence à reconnaître et à valoriser la richesse de l’alterité et l’expérience difficile d’une Amérique Latin, qui pourrait générer un abordage diférencié des sociétés humaines.

Il revient aujourd’hui aux organes qui s’occupent du patrimoine et aux centres de recherche de corriger ces distortions, en créant les conditions nécessaires pour établir un équilibre et une collaboration fructueuse entre les deux côtés de l’archéologie. Dans le cas contraire, notre discipline ne survivra pas, de la même manière qu’aucun village Kayapó ne pourrait survivre sans l’intégration des membres de ses deux moitiés.

A arqueologia brasileira demanda uma longa tarefa pela frente: juntar uma documentação representativa em todas as partes do território nacional, que permita tratar problemas tais como as modalidades do povoamento inicial, os processos de colonização sistemática dos territórios, o desenvolvimento do manejo da natureza (e, eventualmente, de domesticação ou importação de plantas cultivadas) e as diversas estratégias de sobrevivência que coexistiram durante milênios. Sobretudo, falta avaliar as modalidades da longa coexistência entre grupos social e economicamente dispares, cuja diversidade se esconde atrás da palavra « tribo », que aplicamos a todas elas. Talvez isso nos leve a descobrir fenômenos sociais ausentes dos modelos científicos tradicionais, as formas pelas quais grupos distintos parecem ter-se articulado de maneira diversa do que ocorreu em outras partes do mundo, o modo como essas mudanças se traduzem nos vestígios, as transformações das sociedades indígenas decorrentes do contato e da colonização.

Para tanto trabalho a ser realizado, num país de dimensão continental, cuja maior parte é ainda totalmente desconhecida do ponto de vista arqueológico, existem talvez duas centenas de arqueólogos – a maioria, recém-formada e, mesmo assim, de maneira assistemática. Com efeito, não há graduação de arqueologia no país, e o mestrado em dois anos parece bem curto para preparar um profissional que lida com recursos patrimoniais não-renováveis a partir de uma abordagem pluridisciplinar, sobretudo quando esse mestrado nem é exclusivamente dedicado à arqueologia, sendo um diploma em história ou antropologia, apenas com uma « concentração » na disciplina.

Por outro lado, o campo de trabalho, de início puramente acadêmico, passou a ser quase que totalmente ocupado pela iniciativa privada, por meio da arqueologia « de contrato », cujo objetivo é avaliar os impactos ambientais dos projetos empresariais (represas, estradas, linhas de energia, gasodutos) e liberar – após rápida intervenção nos eventuais sítios arqueológicos localizados em setores ameaçados – os terrenos para as obras. A arqueologia de’ contrato é uma necessidade para evitar-se a perda de preciosas informações e poderia fornecer uma excelente contribuição à ciência, em particular nas regiões ainda inexploradas. No entanto, está insuficientemente disciplinada, e poucos projetos levam a um estudo adequado em campo – muito menos em laboratório. Não há publicação científica, na maior parte dos casos, nem controle de qualidade pelos peritos. Enfim, os objetivos fundamentais das intervenções de contrato, não sendo científicos não visam, inicialmente, a abordar os problemas arqueológicos estabelecidos a partir de preocupações acadêmicas. Depende, portanto, das forças dos arqueólogos envolvidos, superar essas limitações.

Assim, a arqueologia « de salvamento », de cunho mais técnico, deveria vir como complemento para enriquecer as pesquisas científicas a serem realizadas por universitários. Infelizmente não é o que acontece. A pesquisa acadêmica foi quase abandonada no Brasil, mesmo pelos raros
arqueólogos universitários, cuja maioria prefere aproveitar as facilidades financeiras oferecidas pela iniciativa privada e raramente tenta compatibilizar os objetivos científicos com os das empresas. Em conseqüência, corre-se hoje o risco de ver a pesquisa realmente científica ser desenvolvida quase exclusivamente sob a liderança de grupos de pesquisas estrangeiros. Perde-se assim a chance de se criar uma arqueologia regional independente, que poderia enriquecer a ciência a partir de pontos de vista originais. Mesmo sem se levar em conta as considerações nacionalistas, é uma pena isso acontecer, pois a « ciência-diversidade » é tão importante quanto a biodiversidade. A sociedade moderna ocidental, depois de ter promovido durante dois
séculos a dominação e até a eliminação dos grupos e pensamentos dos « outros », começa a reconhecer e valorizar a riqueza da alteridade e a sofrida experiência da América Latina, que poderia gerar uma abordagem diferenciada das sociedades humanas.

Cabe agora aos órgãos patrimoniais e aos centros de pesquisa corrigir as distorções, criando condições para estabelecer uma equilibrada e frutuosa colaboração entre as duas vertentes da arqueologia. Caso contrário, nossa disciplina não sobreviverá, do mesmo modo que nenhuma aldeia Kayapó poderia existir sem a interação dos integrantes de suas duas metades.

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