Le real, future monnaie unique?

(fr)

En s’inspirant ouvertement de la politique du gouvernement de Luiz Inácio « Lula » da Silva, le nouveau Président de El Salvador, Mauricio Funes, ouvre une nouvelle brêche en Amérique Centrale (estadão [pt]).

Jusqu’alors, le Brésil était toujours resté sagement hors de la région, et la nouveauté fait pousser des cris de victoire aux partisans de la « troisième voie » du Président brésilien. Troisième, dans le sens où la politique de Brasília diffère de celle de Washington ou de Caracas.

Aucune Initiative Merida (wikipedia [en]), aucune Alternative Boliviarienne (wikipedia [es]), n’a été à ce jour lancée par Brasília. L’influence brésilienne grandit donc dans une sorte de flou, qui fonctionne par exclusion, dans l’espace qui existe entre deux extrêmes de la realpolitik laissée par George Bush et les envolées lyriques de Hugo Chavez.

Cette indéfinition évolue certainement autour du charisme de Lula, et de sa position de médiateur sur différents enjeux, comme la question cubaine au cours du dernier Sommet des Amériques, ou la place de la Colombie d’Uribe face aux autres pays. En mai 2008, peu après la création de l’UNASUL, Lula annonçait :

« Nous allons nous diriger, dans le futur, vers une Banque Centrale unique, pour avoir une monnaie unique. Mais c’est un processus, pas une chose rapide. » (reuters [pt])

Jusque là, pas de flou. Pas de doute. Plus gros pays du continent, le Brésil vise son intégration politique, économique, et même sociale et culturelle. C’est le genre de déclaration qui sort du Forum de São Paulo, un espace de dialogue entre partis de gauche (radicaux ou não) formé dans les années 90 pour s’opposer à Bush Ier. Mais dans le même temps, voici ce qui se passe :

« Le mois passé, le Brésil et l’Argentine ont déjà signé un accord pour substituer le dollar dans les transactions commerciales entre les deux pays. » (forum [pt])

« Lors de la prochaine réunion de l’UNASUL, qui réunit les pays de la région, et qui se déroulera ce semestre, Lula veut présenter à ses partenaires une proposition pour augmenter l’utilisation du real dans les relations entre voisins. » (blog do favre [pt])

Pour comprendre ce flou artistique, il faut garder à l’esprit la volonté de statut du Brésil, qui cherche depuis longtemps à s’affirmer sur la scène internationale. Malheureusement, ni le charisme de Lula ni l’Amazonie – et encore moins les exportations soja – ne vont, à eux seuls, amener les puissances traditionnelles à respecter le pays.

Il faut aussi reconnaître le revers de la pièce, qui est particulièrement visible depuis le début de la crise financière : la fragilité du dollar, et en conséquence, du commerce sur tout le continent.

« Actuellement, pour obtenir un produit chez l’un de nos voisins, il faut suivre un procédure compliquée. L’importateur brésilien doit faire un dépôt dans une banque internationale et payer l’exportateur en dollars. Ensuite, l’argent arrive dans ce pays et il est changé en monnaie locale. De la même façon, l’argent qui arrive au Brésil est converti en reais. Le plus préoccupant, donc, c’est que si il n’y a plus de dollars, comme lors de la crise de change en 2002, il n’y a plus de commerce bilatéral non plus. » (na prática [pt])

« Un marché vraiment unifié, qui est loin d’exister en Amérique du Sud ou même à l’intérieur du Mercosul, appelle naturellement une monnaie unique, ou commune, parce qu’il n’y a plus de sens à maintenir des barrières monétaires et fiscales face à la totale libéralisation de tous les autres types d’échanges de biens et de services [ …] Mais cela nécessite une certaine convergence entre les politiques macroéconomiques, ce qui est à des années-lumière de se réaliser dans la région, et même à l’intérieur des pays eux-mêmes. » (textos pra [pt])

L’intégration continentale devient donc un élément central dans la politique internationale brésilienne. Or, comme l’a affirmé Lula lui-même, c’est un processus lent. L’utilisation de la monnaie brésilienne, le real, dans les transactions sud-américaines, permettrait d’accelérer toute l’histoire, et de donner ce cher statut au monde politique de Brasília.

Le prix à payer sera celui d’une hégémonie à gérer, semblable à celle des États-Unis qui est tant critiquée.

(pt)

Inspirado abertamente pela política do governo de Luiz Inácio « Lula » da Silva, o novo Presidente de El Salvador, Mauricio Funes, abre uma nova porta no América Central (estadão [pt]).

Até então, o Brasil sempre ficou fora da região, e a novidade faz pular de alegria os partisãos da « terceira via » do Presidente brasileiro. Terceira, no sentido em que a política de Brasília é diferente daquela que existe em Washington ou em Caracas.

Nenhuma Iniciativa Merida (wikipedia [en]), nenhuma Alternativa Bolivariana (wikipedia [es]), jamais foi criada em Brasília. A influência brasileira cresce então em meio à uma tipo de neblina, que funciona por exclusão, no espaço que existe entre os dois extremas da realpolitik herdada de George Bush e as declarações líricas de Hugo Chavez.

Tal indefinição evolue claramante em volta do carisma do Lula, e da sua posição de mdiador em vários temas, como na questão cubana durante a última Cúpul das Américas, ou o papel da Colombia de Uribe em frente aos outros países. Em maio de 2008, pouco tempo após a criação da UNASUL, Lula anunciava :

« Nós vamos caminhar para, no futuro, termos um Banco Central único, para ter moeda única. Agora, isso é um processo, não é uma coisa rápida. » (reuters [pt])

Até então, não tem neblina. Não tem dúvida. Maior país do continente, o Brasil procura a sua integração política, econômica, e até social e cultural. É o tipo de declaração que saí do Fóro de São Paulo, um espaço de diálogo entre partidos de esquerda (radical ou não) formado no anos 90 para opôr-se à política do Bush. Mas ao mesmo tempo, acontece o seguinte :

« No mês passado, Brasil e Argentina já firmaram acordo de substituição do dólar nas transações comerciais entre os dois países. » (forum [pt])

« Na próxima reunião da Unasul, que agrega os países da região, ainda neste semestre, Lula quer apresentar aos parceiros uma proposta que pode ampliar o uso do real nas relações entre os vizinhos. » (blog do favre [pt])

Para entender este fosco artístico, é preciso lembrar que o Brasil está a procura de um estatuto, e que ele quer se afirmar na cena internacional há muito tempo. Infelizmente, nem o carisma do Lula nem a Amazônia – e ainda menos as exportações de soja – vão levar assim as potências tradicionais a respeitar o país.

É preciso reconhecer o outro lado da moeda, que se torna particularmente visível desde o início da crise financeira: a fraqueza do dólar e, consequentemente, do comercio no continente todo.

«Atualmente, para adquirir produtos de nossos vizinhos, um processo complexo tem de ser seguido. O importador brasileiro precisa efetuar depósito em um banco internacional e pagar o exportador em dólares. Depois os dólares chegam nesses países e são convertidos na moeda local. Da mesma forma, chegam ao Brasil e são convertidos em reais. O mais preocupante, no entanto, é que se não houver dólares, como no caso da crise cambial de 2002, não há comércio bilateral. » (na prática [pt])

« Um mercado verdadeiramente unificado, o que está longe de ser o caso da America do Sul e sequer do Mercosul, « chama », naturalmente, uma moeda unica, ou comum, pois que nao faz sentido continuar com « barreiras » monetarias e cambiais em face da total liberalizacao de todos os demais tipos de fluxos de bens e servicos transfronteiricos e intercambios transnacionais (capitais, tecnologia, pessoas, know how etc). Ocorre que isto requer convergencia de politicas macroeconomicas, o que está a anos-luz de se realizar entre os paises da regiao e até mesmo DENTRO dos proprios paises. » (textos pra [pt])

A integração continental se torna então um elemento central na política internacional brasileira. No entanto, como o Lula afirmou, trata-se de um processo lento. O uso da moeda brasileira, o real, no comércio sul-americano poderia accelerar toda esta história, e dar aquele estatuto tão procurado pelo mundo político de Brasília.

O preço a pagar é a necessidade de gerenciar a hegemonia, que se tornará inevitavelmente parecida à dos Estados Unidos, tão criticada.

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