Crise institutionnelle en perspective

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Les exemples de méfaits commis par des députés, des sénateurs, des fonctionnaires, autant que par des députés dans les états et des échevins dans tout le pays, diminuent la confiance du public dans les institutions parlementaires. Le nombre de gens qui se demandent pourquoi elles existent et pourquoi ils doivent voter est en augmentation. […] Ce que cela configure, c’est la matérialisation d’une crise institutionnelle. (transparencia brasil pt)

Quelques sénateurs, dont l’actuel Président de la Chambre, ont utilisé leur position pour faire embaucher certaines personnes ou assurer l’exclusivité de certains contrats. Comme ces décisions n’ont jamais été publiées dans les annales du Congrès, on parle d’actes secrets. C’est le dernier épisode d’un interminable feuilleton à scandale au coeur des institutions brésiliennes. Grâce à certains directeurs parmi le personnel du Sénat, la famille et le cercle d’amis des membres les plus influents ont ainsi été privilégiés pour différentes raisons. Il n’y a pas si longtemps, quelques semaines à peine, on apprenait que les sénateurs utilisaient leurs frais de déplacements officiels pour payer des voyages à l’étranger à leurs proches.

En soi, il n’y a pas vraiment grand chose d’exceptionnel là-dedans. À la même époque, l’Angleterre était secouée par le même type de problème, quand les membres de la Chambre des Communes de Sa Majesté étaient pris la main dans le sac en train de se payer des domestiques et des films pornographiques avec l’argent du contribuable (wikipedia en). En Belgique, le récent voyage en Californie des députés wallons, accompagnés de leurs dames, a choqué tout le monde (le soir fr).

Ce qui apparaît d’abord comme une série de malencontreux scandales passe petit-à-petit pour une description éhontée du réel fonctionnement des institutions, fédérales surtout mais pas seulement. La politique familiale et le copinage règnent dans toutes les instances du pouvoir, comme si les charges publiques étaient une propriété privée, doublées d’une fonction héréditaire. Depuis 1986, et malgré la nouvelle Consitution brésilienne, les institutions du pays fonctionnent dans une sorte de flou artistique, fidèlement entretenu par les jardiniers de Brasília. Elle leur a toujours permis de s’en tirer en argumentant l’absence de définition. Dont ils sont eux-mêmes responsables. On est dans une boucle sans fin, un loophole.

Cette situation de loophole pourrait caractériser la crise institutionnelle, car elle indique l’incapacité du monde politique à modifier son propre mode de vie, celui sur lequel il a basé son existence depuis plus de 20 ans. Il fonctionne sur un pays où la majorité de la population vit en dehors de tout système légal, et qui n’a donc aucune prise sur celui-ci. Et pourtant, dans le même temps, on peut constater que la situation entre inévitablement dans une impasse.

Plusieurs plans permettent d’inclure cette frange énorme de la population dans un embryon de légalité. Le système de la Bolsa Familia est lié à l’inscription des enfants à l’école et à la poursuite de leurs études. D’autres plans permettent aux indépendants et aux micro-entreprises d’entrer plus simplement dans la légalité (dans le paiement des impôts et les lignes de crédit). En facilitant cette intégration, deux mondes commencent à se superposer.

Parallèlement à cette fusion, la crise institutionnelle pose un sérieux risque pour la Fédération elle-même. Celui, au fond, de créer un régime où la population ne se reconnaît pas ou plus. L’histoire du pays est pleine de ces révoltes, locales ou régionales, qui s’opposèrent à la domination de l’État central. Le Nordeste en est plein, le Sud tout autant. Le dernier exemple en date remonte à 1930, quand Getúlio Vargas est monté au pouvoir par la force, pour s’y installer pendant 15 ans.

De nos jours, la figure charismatique de Lula empêche la renaissance de revendications radicales, mais il laissera bientôt sa place à quelqu’un d’autre – une personne, qui que ce soit, qui n’aura pas le même appui populaire. Si cette crise institutionnelle se prolonge ou s’aggrave, il ne faudra sans doute pas attendre bien longtemps avant de voir ressurgir les anciennes vélléités indépendantistes.

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Os exemplos de malfeitorias cometidas por deputados, senadores e funcionários, bem como por deputados estaduais e vereadores de todo o país, desgastam a confiança do público em relação às instituições parlamentares. É crescente a quantidade de pessoas que se perguntam para quê elas existem e para quê votar. […] O que isso configura é a materialização de uma crise institucional. (transparencia brasil pt)

Alguns senadores, dos quais o atual Presidente da Câmara, usaram a sua posição para contratar certas pessoas ou segurar a exclusividade de alguns contratos. Como estas decisões nunca foram publicadas nos anais do Congresso, elas são chamadas de « atos segregos ». É o último episódio da incansável e escandalosa novela das instituições brasileiras. Com a ajuda de alguns diretores no meio do pessoal do Senado, a familia e o círculo de amigos dos membros os mais influentes foram privilegiados para diferentes razões. Hão faz muito tempo, algumas semanas atrás, chegava a notícia de que os senadores usavam as verbas oficiais para pagar viagens fora do país para seus parentes.

Em si, não tem realmente nada de excepcional. Na mesma época, a Inglaterra vivia o mesmo tipo de problema, quando membros da Câmara dos Comuns da Sua Majestade estavam flagrados pagando domésticas e filmes pornográficos com o dinheiro dos impostos (wikipedia en). Na Bélgica, a recém viagem na California de deputados valões, acompanhados das madamas, chocou todo mundo (le soir fr).

O que aparece primeiro como uma série infeliz de escândalos passa pouco-à-pouco por uma descrição vergonhosa do verdadeiro funcionamento das instituições, federais sobretudo mas não apenas. Política familiar e política dos amigos reinam em todas as instâncias do poder, como se os cargos públicos fossem propriedade particular, dobrada du uma função hereditária. Desde 1986, mesmo com uma nova Constitução brasileira, as instituições do país funcionam em algo como um « fosco artístico », fielmente mantido pelos jardineiros de Brasília. Sempre permitiu que eles se escapem argumentando que não há definição. Da qual eles mesmos são responsáveis. Estamos dando voltas sem fim, num loophole.

Esta situação de loophole poderia caracterizar a crise institucional, porque ela esclarece a incapacidade do mundo político em modificar o seu próprio modo de vida, no qual ele baseou a sua existência há mais de 20 anos. Funciona em um país onde a maioria da população vive fora de qualquer sistema legal, e não tem a mínima ligação com ele. No entanto, é possível perceber que a situação entra inevitavelmente em um beco sem saída.

Vários planos permitem incluir aquela porção enorme da população em um embrião de legalidade. O sistema da Bolsa Familia é ligado a inscrição das crianças na escola e ao avanço deles. Outros planos permitem aos autônomos e às microempresas de entrar na legalidade (no pagamento dos impostos e na obtenção de crédito) com mais facilidade. Com esta integração, dois mundos começam a sobrepô-se.

Juntamente com tal fusão, a crise institucional põe em sério risco a própria Federação. No fundo, poderia criar um regime que a população não reconhece (mais). A história do país está repleta destas revoltas, locais ou regionais, que enfrentaram o domínio do Estado central. O Nordeste está cheio delas, e o Sul também. O último exemplo data de 1930, quando Getúlio Vargas chegou ao poder pela força, e aí ficou por 15 anos.

A figura carismática de Lula impede o renascimento de reinvindicações radicais, mas daqui a pouco ele deixará o seu lugar para alguém outro – uma pessoa, quem quer que seja, que não terá tanto apoio popular. Se a crise institucional continua ou piora, não demorará muito tempo antes de ver surgir os antigos pedidos de independência.

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