Les ordres du marché

(fr)

« Par superstition ou non, c’est le marché qui commande ». Cette phrase vient conclure un article publié par le magazine hebdomadaire Veja à propos de la situation du soja au Brésil. D’après Raquel Salgado, le prix de production du soja transgénique de Monsanto a lentement dépassé celui du soja non-modifié: en 2005-2006, il permettait d’obtenir un bénéfice de R$ 9,46 par sac, tandis que le soja conventionnel ne rapportait que R$ 8,58. Quatre ans plus tard, le soja non-modifié offre un bénéfice de R$ 23,02, contre 20,26 pour l’OGM (E os lucros secaram… Par Raquel Salgado, Veja n°2125, 12 août 2009).

Selon l’article, il y a deux raisons à cela: d’abord, l’invasion d’autres plantes résistantes au glysophate, l’herbicide miracle de Monsanto, qui s’attaquent aux cultures de soja transgénique dans tout le pays, ainsi qu’en Argentine et aux États-Unis. Le système de monoculture facilite naturellement la diffusion des mauvaises herbes. Ensuite, la demande de plus en plus élevée, en Europe et ailleurs, pour des produits certifiés sans OGM:

« Les Européens refusent le soja transgénique et d’autres graines génétiquement modifiées par pure superstition (…) Sur le marché intérieur aussi, l’irrationalité trouve un terrain fertile. Plusieurs entreprises alimentaires, dont des multinationales, ont arrêté d’acheter non seulement le soja transgénique, mais aussi le maïs génétiquement modifié qui a commencé à être récolté cette année. » (abril pt)

Voilà une bien belle interprétation, qui satisfait sans doute les lecteurs de Veja, mais qui se révèle un peu faible quand on creuse un peu.

Premièrement, l’idée de livrer l’agriculture du pays au bon-vouloir d’une entreprise ne semble pas constituer un sérieux problème de conscience – sans doute parce que, guidée par le sacrosaint principe d’efficacité économique, Monsanto vaut mieux que Chavez. Puisque la monoculture de soja permet la diffusion de mauvaises herbes résistantes au glysophate, les agriculteurs vont maintenant devoir suivre les recommandations de l’entreprise pour savoir ce qu’il faut produire d’autre.

À l’origine, il ne s’agissait que d’une simple graine améliorée, théoriquement destinée à faciliter les cultures et à augmenter les profits ; on entre aujourd’hui dans une nouvelle étape, celle de la planification. Chaque agriculteur – et chaque État – devra donc donner à la compagnie le pouvoir d’orienter sa production agricole sur plusieurs années. D’après l’article, la production de soja transgénique atteint déjà 87% du total mondial. Irrationalité, donc.

Le second point permet de mieux comprendre comment une telle dépendance – qui fait horreur en Europe – n’a pas l’air de poser le moindre problème pour l’agriculture brésilienne. Tout d’abord, si les Européens refusent de consommer du soja transgénique, il faut reconnaître que la décision n’est ni unanime, ni facile. En réalité, c’est l’aboutissement d’énormes campagnes de sensibilisation sur les risques induits par l’utilisation d’organismes génétiquement modifiés – pour la santé, l’environnement et l’économie. Les moratoires imposés par l’Union Européenne et les États membres sont le fruit des pressions exercées par la société civile organisée (nouvel obs fr). C’est le cas au Bénin (grain fr). Face à celle-ci, d’autres groupes d’intérêts travaillent à leur disparition – les propres compagnies productrices d’OGMs, ou même la Commission Européenne (infogm fr).

Derrière les commandes du marché évoquées par Raquel Salgado, on trouve donc deux choses : d’un côté l’incroyable richesse des ressources naturelles, et de l’autre, l’activisme politique. Ce qui ressemble à un simple mouvement de la demande – même irrationnel – quand on l’observe depuis le Brésil recouvre en fait une réalité beaucoup plus nuancée.

Ce qu’on peut voir encore, c’est qu’une option politique faite en Europe, par et pour ses propres citoyens, prend de belles proportions quand on traverse l’océan. Pour le producteur – et le lecteur de Veja – la lutte politique se réduit toute entière aux mécanismes flous d’un marché globalisé, une notion qui sert de façade à la croyance en une sorte de deus ex machina. Cette dépendance, dans laquelle ils se trouvent, est aussi un choix politique au Brésil, encouragé par des politiques gouvernementales, des banques publiques et un nombre incroyable d’entités privées. Dans le modèle exportateur, ce qu’on appelle aujourd’hui « marché » s’appelait hier « métropole ».

(pt)

« Com superstição ou não, é o mercado que comanda. » Esta frase conclue uma artigo publicado pela revista semanal Veja sobre a situação da soja no Brasil. Segundo Raquel Salgado, o preço da produção de soja trangênica de Monsanto começou lentamente a ultrapassar o preço da soja não-modificada : em 2005-2006, permitia obter um lucro de R$ 9,46 por saco, enquanto a soja convencional trazia apenas R$ 8,58. Quatro anos depois, a soja não-modificada oferece um lucro de R$ 23,02 contra 20,26 com os OGM (E os lucros secaram… Por Raquel Salgado, Veja n°2125, 12 de agosto de 2009).

Segundo o artigo, há duas razões : primeiro, a invasão de outras planas resistantes ao glisofato, o herbicido milagre de Monsanto, que atacam o cultivo da soja transgênica no país todo, assim como na Argentina e nos Estados Unidos. O sistema de monocultura facilita obviamente a difusão das ervas daninas. Segundo, a demanda cada vez mais elevada, na Europa e além, por produtos certificados livres de OGM :

« Os europeus recusam a soja transgênica e outras sementes geneticamente modificadas por mera superstição (…) No mercado interno, a irracionalidade também tem encontrado um terreno fértil. Várias indústrias alimentícias, muitas delas multinacionais, deixaram de comprar não apenas soja transgênica, como também o milho geneticamente modificado, que começou a ser colhido no país na safra deste ano. »
abril pt

Eis uma linda interpretação, que satisfaz provavelmente os leitores da Veja, mas que aparece um pouco fraca quando se pesquisa um tantinho.

Para começar, a idéia de entragar a agricultura de um país ao bem-querer de uma empresa não parece constituir um problema de consciencia sério – provavelmente porque, guiados pelo sacrosanto princípio de eficiência econômica, Monsanto vale melhor que Chavez. Já que a monocultura de soja permite a difusão de ervas daninas resitantes ao glisofato, os agricultores deverão agora seguir as recomendações da empresa para saber o que produzir de outro.

Na origem, tratava-se apenas de uma simples sementes melhorada, teoricamente destinada a facilitar o cultivo e aumentar o lucro ; entramos hoje em uma nova fase, de planificação. Cada agricultor – e cada Estado – deve então dar a companhia o poder de orientar a sua produção agrícola para vários anos. Segundo o artigo, a produção de soja transgênica atinge 87% do total mundial. Iracionalidade, não é ?

O segundo ponto permite de entender melhor como tal dependência – que horroriza na Europa – não parece ser um problema para a agricultura brasileira. Se os Europeus se recusam em consumir soja transgênica, é preciso reconhecer o fato que a decisão não é nem unanime nem fácil. Na verdade, é o ponto final de campanhas de sensibilisação enormes sobre os riscos induzidos pela utilização de organismos geneticamente modificados – pela saúde, o meio ambiente e a economia. Os moratórios impostos pela União Européia e os Estados membros são fruta das pressões exercidas pela sociedade civil organizada (nouvel obs fr). Foi também o caso no Benin (grain fr). Em frente a essa pressão, outros grupos de interesse procurar eliminá-las – das próprias empresas produtoras de OGM até a Comissão Européia (infogm fr).

Atrás dos comandos do marcado européio mencionado por Raquel Salgado, encontramos duas coisas : de um lado, a incrível riqueza dos recursos naturais, e de outro, o activismo político. O que parece ser um simples movimento da demanda – mesmo se for iracional – quando se observa do Brasil, revela uma realidade muito mais complexa.

Podemos ver, ainda, que uma opção política feita na Europa, por e para os seus cidadãos, tem proporções diferentes quando atravessamos o oceano. Para o produtor – e o leito da Veja – a luta política está toda reduzida nos mecanismos ambíguos de um mercado globalizado, noção que serve de façada para a crença em um tipo de deus ex machina. Esta dependência, na qual se encontram, também é uma escolha política no Brasil, incentivada por políticas governamentais, bancos públicos e um número elevado de entidades prticulares. No modelo exportador, o que chamamos hoje de « mercado » chamavamos ontem de « metropole ».

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Comments
One Response to “Les ordres du marché”
  1. Yorik dit :

    Excellent, tu ne vas pas mettre ça sur trezentos?

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