Aux portes de l’ACTA

(fr)

L’édition brésilienne du Monde Diplomatique a publié un article de Florent Latrive, appelé Diplomatie à Portes Fermées, sur l’ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement). L’original a été publié sur le site français, http://www.monde-diplomatique.fr/2010/03/LATRIVE/18881.

« Un négociateur européen n’acceptant de répondre à nos questions qu’à la condition expresse de demeurer anonyme ; un lobbyiste américain refusant de nous transmettre des ébauches d’un texte en cours de discussion car il a signé un accord de non-divulgation ; nos demandes officielles auprès de la Commission européenne rejetées — « Cela mettrait en péril les relations économiques internationales de l’Union »

Au fond, on sait que l’ACTA est em train d’être négocié, et qu’il y a des avancées sur son contenu. De celui-ci, par contre, on ne sait rien. Quelques lignes, tout au plus, sont apparues sur Wikileaks. De son côté, le gouvernement brésilien, qui ne prend pas part aux négociations (elles réunissent l’Australie, le Canada, les États-Unis, l’Union Européenne, le Japon, la Corée, le Mexique, le Maroc, la Nouvelle Zélande, Singapour et la Suisse), a déjà affirmé son opposition à un éventuel traité :

« Le Brésil va difficilement adhérir à l’ACTA, du moins dans un futur proche. Tant le Ministère de la Culture que celui des Affaires Étrangères sont totalement contre l’ACTA. La politique extérieure et internationale du Président Lula est totalement contre le manque de flexibilité et d’équilibre entre les intérêts en jeu. Pour cela, le rejet de l’ACTA et l’appui récent de Lula lui-même à la construction d’un règlement civil d’internet. » (Arede pt)

Le problème, c’est que la position officielle du Brésil importe peu. Au cas où les pays qui négocient actuellement se décident de signer l’ACTA, la majorité des autres pays seront forcés de suivre. Voilà la logique qui prédomine dans les grandes négociations internationales, à l’exemple de la Chambre Verte (Green Room) à l’OMC : des pré-accords sont décidés par quelques pays influents, qui finissent par convaincre tous les autres.

« La stratégie est d’une efficacité redoutable : une fois l’ACTA négocié en petit comité et loin des regards, il « suffira » de le transposer dans le droit national de chaque signataire. Puis, quand les jeux seront faits, d’imposer la signature du texte aux pays en développement par le jeu d’accords bilatéraux, en leur faisant miroiter des concessions sur d’autres chapitres. »

Avec sa vocation agro-exportatrice, le Brésil n’aurait pas beaucoup de chance de pouvoir s’opposer aux exigences de ses clients, même si ceux-ci sont diversifiés et répandus sur le monde entier. En 2009, des centaines de propriétés brésiliennes ont perdu le droit de vendre de la viande bovine dans l’Union Européenne, à cause du risque de maladie dans les cheptels. De la même manière, les marchandises transitent souvent par des pays tiers :

« En 2008, plusieurs navires en provenance d’Inde et à destination de pays pauvres ont été bloqués en douane. Ils transportaient dans leurs soutes des médicaments génériques, copies tout à fait légales dans le pays d’origine et dans celui d’arrivée. Mais pas en Europe, où transitaient les bateaux et où les règles en matière de brevets sont plus strictes. Résultat ? Plusieurs semaines de retard et des protestations officielles de New Delhi. Même problème pour un chargement de quarante-neuf kilos de molécules anti-VIH génériques destinées au Nigeria et financées par Unitaid — mécanisme international qui collecte des taxes sur les billets d’avion —, bloqués à l’aéroport de Schiphol (Pays-Bas) en février 2009. »

Une solution peut venir du Parlement Européen, qui vient de contester la tournure prise par les négociations, et a exigé l’accès au contenu de l’ACTA. Une solution qui vient de l’intérieur, et qui pourrait faire imploser le projet avec le retrait de l’un de ses plus importants intégrants. Avec la présence de députés du Parti Pirate, il sera même peut-être possible, enfin, d’avoir accès au texte complet.

Pour en savoir plus (en anglais), un article de Cory Doctorow.

(pt)

O Monde Diplomatique Brasil (mars 2010) publicou um artigo de Florent Latrive, chamado Diplomacia a Portas Fechadas, sobre o ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement). É a tradução do artigo em françês disponível no site do Monde Diplomatique France, em http://www.monde-diplomatique.fr/2010/03/LATRIVE/18881.

« Um negociador europeu que só aceita responder a nossas perguntas com a condição expressa de permanecer anônimo; um lobista estadunidense que se recusa a nos fornecer os esboços de um texto em discussão porque assinou um acordo de confidencialidade; nossos pedidos oficiais junto a Comissão Europeia rejeitados – « isso colocaria em perigo as relações econômicas internacionais da União », dizem. »

Afinal, sabemos que a ACTA está negociada, e que existem avanços sobre o seu conteúdo. Dele, no entanto, não sabemos nada. Apenas alguns trechos que aparecem no Wikileaks. Por sua parte, o governo brasileiro, que não toma parte das negociações (elas reunem somente Australia, Canadá, Estados Unidos, União Europeia, Japão, Coreia, México, Marrocos, Nova Zelândia, Cingapura e Suiça), afirmou a sua oposição a um eventual tratado:

« Dificilmente o Brasil irá aderir ao ACTA, ao menos no futuro próximo. Tanto o MinC como o Itamaraty são totalmente contra o ACTA. A política nacional e internacional do presidente Lula é totalmente contra a falta de flexibilidades e equilíbrios entre os interesses em jogo, daí termos rejeitado a ALCA, bem como o próprio Lula ter apoiado, recentemente, a construção do marco civil regulatório da internet. » (Arede pt)

O problema vem do fato que esta posição oficial do Brasil importa pouco. Caso os paises que negociam atualmente resolvam assinar o ACTA, a maioria dos outros paises serão forçados em seguir. Essa é a lógica que predomina nas grandes negociações comerciais internacionais, a exemplo da Sala Verde (Green Room) na OMC : pré-acordos estão fechados por paises influentes, que acabam convencendo todos os outros.

« A estrategia é de uma eficácia temível: depois que o ACTA tiver sido negociado « entre os íntimos » e longe dos olhares do público, « basta » transpô-lo ao direito nacional de cada signatário. Em seguida, quando os jogos já estiverem feitos, será imposta a adesão ao texto dos paises em desenvolvimento no jogo dos acordos bilaterais, oferecendo concessões sobre outros capítulos. »

Com a sua vocação agro-exportadora, o Brasil não teria muita força para se opôr as exigências dos seus clientes, mesmo variados e espalhados no mundo todo. Em 2009, centenas de propriedades brasileiras perderam o direito de vender carne bovina na União Europeia, depois da suspeita de doenças nos rebanhos. Do mesmo modo, as mercadorias transitam regularmente por países terceiros:

« Em 2008, vários navios provenientes da Índia com destino a países pobres foram bloqueados na alfândega. Eles transportavam em seus porões medicamentos genéricos, cópias legais no país de origem e de chegada. Mas não na Europa, por onde transitavam as embarcações e em que as regras de patentes são mais restritas. O resultado? Várias semanas de atraso e protestos oficiais de Nova Délhi. O mesmo problema ocorreu com um carregamento de 49 kg de moléculas anti-HIV genéricasdestinadas à Nigéria e financiadas pela Unitaid (a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que recolhe taxas sobre as passagens de avião – que foi bloqueado no aeroporto de Schipol (Países Baixos) em fevereiro de 2009. »

Uma solução pode vir do Parlamento Europeu, que acabou de contestar a forma tomada pelas negociações, e exigiu ter acesso ao conteúdo do ACTA. Uma solução que vem de dentro, e que poderia fazer implodir o projeto com a retirada de um dos seus maiores proponentes. Com a presença dos deputados do Partido Pirata, talvez será possível – finalmente – ter acesso ao texto completo que está negociado.

Para saber mais (em inglês), um artigo de Cory Doctorow.

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