Autonomie et dépendance

En jouant à Freecol, la version libre du vieux Colonization de Sid Meier, j’ai pensé à quelque chose. Lorsqu’on construit une petite colonie, les fonctions primaires (nourriture, bois, outils) sont généralement destinées à l’édification de la ville elle-même, tandis que rapidement, il est nécessaire de produire des denrées plus rares pour gagner de l’argent. C’est une sorte de mélange entre un développement autonome et un autre dépendant – puisque les prix de vente sont fixés par la métropole.

D’accord, ce n’est qu’un jeu. Mais il retrace très schématiquement un phénomène historique : les sociétés coloniales se sont orientées sur un certain axe, déterminé par les motivations des couronnes européennes. C’est-à-dire certes, construire de jolis nouveaux bâtiments, mais surtout envoyer des produits tropicaux à la mère-patrie.

Et c’est très exactement là qu’on trouve les Compagnies des Indes, dont le rôle n’était pas de venir habiter les nouvelles terres, mais bien d’y organiser les flux entre la métropole et la colonie, et d’assurer leur rentabilité : les marchandises produites sur les terres arables sont acheminées jusqu’aux ports/centres urbains pour y être exportées.

Voilà le type de construction qui a prévalu aux Amériques, et qui s’est maintenu au point que dans les années 50, certains ont monté une théorie de la dépendance. Ce qu’on trouve dans les colonies est donc bien différent des constructions européennes ou asiatiques, même en allant chercher très très loin dans l’histoire : la Péninsule ibérique et les Îles Britanniques étaient en relation bien avant d’être incorporées dans l’Empire romain. Les relations de pouvoir entre les différentes régions ont, elles aussi, changé tellement de fois au cours des siècles (Carthage, Rome, Aix-la-Chapelle, Florence, Amsterdam, Prague, Paris, Londres…) qu’un véritable réseau s’est créé partout et dans tous les sens, rempli partout de sous-réseaux allant eux aussi dans toutes les directions.

Au contraire, les Amériques ne disposent dans leur bagage historique que d’une poignée de métropoles, dont la plupart sont aujourd’hui réunies dans l’Union Européenne, et dont l’autre est à Washington. Dans ce contexte, les nouvelles Compagnies des Indes, celles du XXème siècle qui courent sur de nombreux pays, peuvent-elles modifier la forme prise jusqu’ici par la société sud-américaine ?

On pourrait dire qu’il s’agit là, enfin, d’une bonne occasion de développer un peu plus le continent sud-américain pour lui donner de nouvelles portes, non plus liées à une place forte, mais à un siège social : Nestlé, Wal-Mart, Unilever ou Johnson joueraient alors les rôles des capitales d’antan, et permettraient de donner au réseau sud-américain une densité convenable. L’arrivée des compagnies multinationales serait donc perçue comme autant d’armadas espagnoles, et de comptoirs français, dont le résultat – à terme – serait de diversifier les liens entre le continent et le reste du monde, et ainsi d’en renforcer l’intégration. Certes, elles prennent un pourcentage élevé sur chaque transaction, mais personne n’est dupe au point de penser que Charlemagne et les Médicis ne faisaient pas de même. Finalement, la conserverie de tomates d’Arisco est-elle vraiment pire – toute propotion gardée – qu’un alambic de canne à sucre installé par la couronne portugaise ?

On dirait que non, à quelque détail près. Car lorsque les Jésuites (la Compagnie de Jésus) ont incorporé les Guaranis dans leurs missions, c’est-à-dire le pas de la porte du marché colonial – qu’on pense qu’ils aient bien fait ou non – ils leur ont aussi donné une certaine dose d’autodétermination : mis à part le responsable principal de la mission, les autres charges étaient de responsabilité des Indiens. De même, sur les terres portugaises, la population des freguesias avait elle aussi (de plus en plus) le droit de déterminer ses priorités. Au contraire, les compagnies modernes n’ont pas l’intention de laisser à leurs travailleurs le choix de la production. Et quand c’est le cas, on hurle au scandale, on dénonce une sérieuse atteinte à la propriété privée et des activistes canadiens viennent en faire un documentaire (voir The Take). La ligne de montage appartient à une personnalité juridique qui ne connaît pas l’émancipation. Elle s’implante à un endroit pour produire, selon une logique qui lui est propre. La population locale applaudit parce qu’elle n’a pas d’autre travail, et non parce que c’est la production qu’elle a choisi d’accueillir. La conséquence directe, c’est que lorsque celle-ci disparaît ou se délocalise, elle emmène son réseau avec elle. Pour ceux qui restent sur place, il faut recommencer à zéro – soit attendre l’arrivée d’une autre entreprise.

Enquanto eu jogava de Freecol, a versão livre do velho Colonização de Sid Meier, eu pensei em uma coisa. Quando se constroi uma pequena colônia, as funções primárias (alimentos, madeira, ferramentas) estão geralmente utilizadas para a construção da cidade mesmo, mas rapidamente, é preciso produzir mercadorias mais raras para ganhar dinheiro. É um tipo de mistura entre um desenvolvimento autônomo e um outro dependente – já que os preços de venda estão fixados pela metropole.

Tudo bem, é apenas um jogo. Mas ele apresenta muito esquematicamente um fenomêno histórico : as sociedades coloniais se orientaram sobre um certo eixo, determinado pelas motivações das coroas europeias. Quer dizer, com certeza construir lindos prédios novos, mas sobretudo manda produtos tropicais para a pátria-mãe.

E foi exatamente aí que encontramos as Companhias das Índias, cujo papel não era de vir morar nas terras novas, e sim de organizer alí os fluxos entre colônia e metropole, e segurar a rentabilidade : as mercadorias produzidas nas terras ferteis estão encaminhadas até os portos/centros urbanos para serem exportadas.

Eis o tipo de construção que prevaleceu nas Américas, e que se manteve até o ponto em que, nos anos 50, alguns falaram de uma teoria da dependencia. O que encontramos nas colônias é bem differente das construções europeias ou asiáticas, mesmo se formos buscar em épocas remotas : a Peninsula Ibérica e as Ilhas Britanicas já estavam em relação antes de serem incorporadas no Império Romano. As relações de poder entre as regiões mudaram tantas vezes no decorrer dos séculos (Cártago, Roma, Florença, Amsterdã, Praga, Paris, Londres…) que uma verdadeira rede se criou em todos os lugares, em todas as direções, repleta de milhões de sub-redes indo também em todas as direções.

Ao contrário, as Américas não dispõem na sua bagagem histórica de mais de um punho de metropoles, a maioria das quais estão hoje na União Europeia, e a outra em Washington. Neste contexto, as novas Companhias das Índias, as do século XX que correm em vários países, podem mudar a forma tomada pela sociedade sul-americana ?

Poderia dizer que se trata, enfim, de uma boa oportunidade de desenvolver um pouco mais o continente sul-américano para abrir novas portas, que não sejam mais redutos políticos mas sedes sociais : Nestlé, Wal-Mart, Unilever e Johnson teriam então o mesmo papel que as capitais do passado, e poderiam dar à rede sul-americana uma densidade convincente. A chegada das companhias multinacionais seria percebida como tantas armadas espanhois e feitorias françesas, cujo resultado – no final – seria a diversificação das ligações entre o continente e o resto do mundo, reforçando assim a integração. Elas tomam uma porcentagem elevada em cada transação, mas ninguém é besta de acreditar que Carlomagno ou os Medicis não faziam o mesmo. Finalmente, as latarias de tomate da Arisco serão pioras que os engenhos de cana de açucar instalados pela coroa portuguesa ?

Diria que não, a não ser alguns detalhes. Pois quando os Jesuitas (a Companhia de Jesus) incorporaram os Guaranis nas suas missões, quer dizer na primeira marcha do mercado colonial (e não importa se acha que foi certo ou errado), também daram uma certa dose de autodeterminação : salvo o responsável principal da missão, os outros cargos estavam de responsabilidade dos Índios. Da mesma forma, nas terras portuguesas, a população das freguesias também tinha (cada vez mais) o direito de determinar as suas próprias prioridades. Ao contrário, as empresas modernas não têm a intenção de deixar aos seus trabalhadores a escolha da produção. E quando isso acontece, é um escândalo, uma violação dos direitos de propriedade, e ativistas canadênses aparecem para fazer um documentário (ver The Take). As linhas de montagem pertencem a uma pessoa jurídica que ignora tudo da emancipação. Ela se instala em dado lugar para produzir, com uma lógica própria. A população local bate as palmas porque não há outro emprego – não porque foi o tipo de produção que escolheu. A consequência direta, é que caso ela desaparece ou delocalisa as suas atividades, é preciso recomeçar a zéro – ou esperar uma outra empresa.

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Comments
2 Responses to “Autonomie et dépendance”
  1. André dit :

    Merci beaucoup par votre blog, il est en aidant beaucoup moi francese.

    É muito bom para praticar a língua, com a tradução logo ao lado, melhora muito meu entendimento no uso de alguns pronomes, etc… Parabéns pelo esforço!

    Gostei muito!!

    Att.

    André

  2. Davi Cruz dit :

    Em 2009 você publicou uma história e mencionou o Bira um Luthier em Salvador. Retornei à Bahia e predi o contato com ele. Sou músico. Se tiver um telefone ou e-mail que possa entrar em contato, favor enviar para davixcruz@gmail.com

    Grato

    Davi

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