Du feijão tous les jours

Cette semaine, le Gouverneur de l’État de Bahia, Jacques Wagner, a annoncé la réduction des impôts sur la « Cesta Básica », un panier de produits qui sert de reférence pour les dépenses mensuelles de première nécessité d’une famille brésilienne lambda. Présenté comme une stratégie destinée à augmenter les rentrées d’argent de l’État, récemment touché par les coupes budgétaires du gouvernement fédéral, la situation alimentaire globale nous force à voir le problème sous un autre angle.

Depuis de nombreux mois, le nombre d’alertes émanant de différentes institutions à propos de la hausse du prix des aliments et autres commodities ne cesse d’augmenter. Qu’il s’agisse de différentes organisations non-gouvernementale ou de la très conservatrice Banque Mondiale, ces organismes s’acordent tous sur les risques élevés d’une telle situation. Au début du mois de février, la FAO rendu public l’état alarmant de son indice des prix alimentaires, qui plafonne à 231 points, le plus haut niveau jamais atteint.

« La flambée des prix alimentaires est une réalité pour le monde entier, mais elle n’a pas le même impact sur les populations les plus pauvres et les plus vulnérables, » constate J. Sheeran du Programme Alimentaire Mondial.

En 2006 déjà, une série d’émeutes de la faim avait commencé à secouer la planète. Mexicains d’abord, puis Egyptiens, Haïtiens et Camerounais, ils étaient descendus dans les rues, poussés par la faim. En 2008, l’ONU avait même créé une commission pour « promouvoir une réponse unifiée au défi mondial posé par l’insécurité alimentaire, notamment en créant un plan d’action avec des priorités et en coordonnant sa mise en œuvre ». Trois ans plus tard, toutes les conditions sont en train de se réunir pour que l’on voie réapparaître la même catastrophe.

Que ce soit pour ceux qui vivent à la limite du seuil de pauvreté ou pour ceux qui intègrent les classes inférieures (revenu familial inférieur à R$2.040,00 selon l’IBGE), et qui représentent aujourd’hui 26% de la population brésilienne, le prix de la cesta básica est au coeur de l’économie domestique. Une analyse par le Procon de São Paulo révèle que celle-ci a augmenté de R$ 228,50 à R$ 263,58 au cours de l’année de 2010.

Au centre de cette inflation, se trouve le prix des aliments. Et au coeur des aliments, on identifie clairement l’augmentation drastique du prix de la viande et des autres produits d’origine animale. L’élevage, quant à lui, qu’il s’agisse de bovins ou de volaille, est intimement liée à la production agricole de céréales – soja et maïs surtout – dont le Brésil est aussi l’un des principaux producteurs mondiaux.

Mais lorsque la question a été posée avant la réunion actuelle du G20 en France, le Brésil et l’Argentine ont adopté une position commune : poussés par la très puissante CNA et le secteur agroindustriel, les deux gouvernements s’opposent à toute possibilité de régulation. La CNA ajoute encore qu’il vaut mieux changer ses habitudes alimentaires plutôt que s’attendre à une chute des prix.

Pour éviter que la population ne soit forcée de trop changer des habitudes qu’elle a encore du mal à acquérir – à Bahia, plus d’un tiers de la population (1,7 millions de familles) reçoît la Bolsa Familia, dont le montant varie entre R$60,00 et R$200,00 par mois – l’initiative du gouvernement de Bahia est honorable. Mais c’est une illusion de croire qu’une telle réduction puisse ne fut-ce qu’affecter la tendance mondiale, surtout lorsque le gouvernement fédéral adopte le ton d’un commerce ouvert à n’importe quel de type de spéculation.

Esta semana, o Governador da Bahia, Jacques Wagner, anunciou a redução dos impostos sobre a “Cesta Básica”, um conjunto de produtos que servem de referência para as despesas mensais de primeira necessidade da família brasileira lambda. Apresentado como uma estratégia destinada a aumentar as receitas do Estado, recentemente atingido pelos cortes orçamentários do governo federal, a situação alimentar mundial nos força a observar o problema em outro ângulo.

Há meses, o número de alertas oriundas de diferentes instituições relativas à alta dos preços dos alimentos e de outras commodities não para de aumentar. Seja de organizações não-governamentais ou do muito conservador Banco Mundial, estes organismos concordam sobre os riscos elevados trazido pela situação. No início do mês de fevereiro, a FAO publicou o estado preocupante do seu índice dos preços alimentares, que alcança 231 pontos, o seu maior nível jamais atingido.

« A queima dos preços alimentares é uma realidade para o mundo inteiro, mas ela não tem o mesmo efeito sobre as populações mais pobres e mais vulneráveis,” constata J. Sheeran do Programa Alimentar Mundial.

Já em 2006, uma série de motins da fome havia começado a sacudir o planeta. Mexicanos primeiro, depois Egípcios, Haitianos e Camaroneses, desceram nas ruas, empurrados pela fome. Em 2008, a ONU até criou uma comissão para “promover uma resposta unificada ao desafio da insegurança alimentar, criando um plano de ação com prioridades e coordenando a sua realização”. Três anos mais tarde, todas as condições estão se reunindo para que a mesma catástrofe reapareça.

Seja para aqueles que vivem na pobreza, na sua beira ou aqueles que integram a classes inferiores (com renda familiar inferior a R$2.040,00, segundo o IBGE), que hoje representam 26% da população brasileira, o preço da cesta básica está situada no coração da economia doméstica. Uma análise do Procon de São Paulo revela que o seu preço aumentou de R$228,50 para R$263,58 durante o ano de 2010.

No centro desta inflação, encontra-se o preço dos alimentos. E entre os alimentos, identifique-se claramente o aumento dramático do preço da carne e de outros produtos de origem animal. A pecuária, por sua parte, seja de bovinos ou de aves, está intimamente ligada à produção de cereais – soja e milho, sobretudo – dos quais o Brasil é também um dos maiores produtores mundiais.

Mas quando a pergunta foi feita antes da reunião do G20 na França, Brasil e Argentina adotaram uma posição comum: pressionados pela poderosa CNA e pelo setor agroindustrial, os dois governos se opõem a toda possibilidade de regulação. A CNA acrescenta ainda que é melhor mudar os hábitos alimentares do que esperar uma queda dos preços.

Para evitar que a população esteja obrigada a mudar hábitos que ela ainda pena a adquirir – na Bahia, mais de um terço da população (1,7 milhões de famílias) recebe a Bolsa Família, cujo valor varia entre R$60,00 e R$200,00 por mês – a iniciativa do governo da Bahia é honrável. Mas seria uma ilusão acreditar que tal redução possa até mesmo afetar a tendência mundial, ainda menos quando o governo federal adota o tom de um comércio aberto para qualquer tipo de especulação.

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