Des Talibans en Libye: les Arabes vus du Brésil

On ne parle pas souvent des Arabes par ici: on connaît bien l’Hôpital Syrio-Libanais à São Paulo, parce que c’est là que José Alencar – ex-vice-Président – est soigné, et au bas du générique du Jornal Nacional, il y a le nom d’Ali Kamel, directeur de la Central Globo de Jornalismo. Mais il y a quelques mois de cela, la présentatrice vedette du Jornal Nacional, Fatima Bernardes, confondait en direct Chiites et Talibans. Au fond, ce qui représente le monde arabe au Brésil, c’est encore et toujours Habib’s, sympathique chaîne de fast-food arborant le fez marocain.

Não falam muito de árabes por aqui: conhecemos bem o Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, porque é la que José Alencar, o  ex-vice-presidente – é tratado e, no final do Jornal Nacional, aparece o nome de Ali Kamel – diretor da Central Globo de Jornalismo. Mas alguns meses atrás, Fatima Bernardes confundia ao vivo Xiitas e Talibãs. Afinal, o que representa melhor o mundo árabe no Brasil, sempre será Habib’s, os simpáticos restaurantes fast-food vestido com o fez marroquino.

L’expulsion de Ben Ali et de Moubarak pourrait facilement faire penser à deux évènements brésiliens : la campagne des Diretas Já, et la cassation de Collor. Mais on en est assez loin. Diretas Já a bien fait descendre des millions de gens dans les rues pour exiger la mise en place d’élections directes pour la présidence du pays, mais le mouvement a duré plus d’un an, de mars 1983 à abril 1984, et il n’est pas parvenu à renverser le pouvoir (même si les réactions de celui-ci ont été similaires à celles utilisées en Afrique du Nord : black-outs, état d’urgence et l’armée dans les rues de Brasília). La cassation de Collor, cinq ans plus tard, n’a quant à elle pas d’origine populaire.

Dans la presse écrite aussi, il y a un gouffre. La semaine passée, Veja clamait comme d’habitude la passion de la gauche occidentale, selon elle responsable du bien-être des dictatures arabes (VEJA 2207, 09/03/2011). Cette semaine, lorsqu’elle fait une interview de Nicolas Sarkozy dans ses pages jaunes, on ne trouve pas une ligne sur la démission de Michelle Alliot-Marie, du Ministère des Affaires Étrangères, à cause de ses relations étroites avec le clan Ben Ali.

Au contraire, l’interview commence avec cette question : « Qu’est-ce qui peut être fait pour éviter que les révolutions arabes finissent avec des gouvernements oprimant le peuple et hostiles à l’Occident ? » Certainement pas fournir des grenades lacrymogènes aux forces de l’ordre des dictatures, comme le Premier Ministre français l’a admit en février. Au lieu de cela, la réponse de Sarkozy est triomphaliste : « Sans l’aide de personne, ces gens ont mis à bat des régimes au nom de valeurs qui nous sont chères, comme la liberté, la démocratie, la justice et les droits de l’homme » (VEJA 2208, 16/03/2011). Sans l’aide de personne, vraiment.

En même temps, la pétition d’Avaaz circule dans tous les réseaux culturels du pays pour demander une intervention militaire en Libye – qu’on l’appelle « no-fly zone » ne change pas grand chose. Congeler ou bloquer Kaddafi, apporter du soutien aux populations, tout ça ne suffit pas : il faudrait que l’OTAN aille sauver la planète, comme elle le fait si bien en Afghanistan. La carte est dirigée à Catherine Ashton, Haute-Représentante de l’UE, et non à Antônio de Aguiar Patriota, pourtant Ministre des Affaires Étrangères. Le Brésil siège actuellement au Conseil de Sécurité de l’ONU, mais qu’importe.

Le même prisme manichéen qui sert à tous les médias de masses permet de rapporter des faits sans les expliquer, de présenter des interprétations mineures comme des démonstrations irréfutables. Dans un monde où tout est simple, c’est vrai que les solutions sont à portée de main – et tous ceux qui les refusent sont des islamo-gauchistes. Voire pire encore.

A expulsão de Bem Ali e de Moubarak poderia fazer pensar em dois eventos da história recente do Brasil: a campanha das Diretas Já e o impeachment de Collor. Mas estamos bem longe daí. A Diretas Já reuniu bem milhões de pessoas nas ruas para exigir a organização de eleições diretas para a presidência do país, mas o movimento durou mais de um ano, de março de 1983 até abril de 1984, e não chegou a mudar o poder (mesmo se as reações deste foram similares àquelas utilizadas na África do Norte: blecautes, estado de emergência, exercito nas ruas de Brasília). E o impeachment de Collor, cinco anos mais tarde, não teve origem popular.

Na imprensa escrita também, existe um abismo. Na semana passada, a Veja conclamava como sempre o “xodó da esquerda ocidental”, responsável segundo ela do bem-estar das ditaduras árabes (VEJA 2207, 09/03/2011). Esta semana, quando publica uma entrevista com Nicolas Sarkozy nas suas páginas amarelas, não há uma única linha sobre a demissão de Michelle Alliot-Marie, do Ministério francês das Relações Exteriores, por causa das suas relações estreitas com o clã de Ben Ali.

Ao contrário, a entrevista começa com esta pergunta : « O que pode ser feito para evitar que as revoluções árabes resultem em governos opressores de seu povo e hostis ao Ocidente?” Com certeza, não fornecer granadas lacrimogêneas às forças policiais das ditaduras, como admitiu o Premiê francês em fevereiro. E Sarkozy de falar triunfalmente: “Sem a ajuda de ninguém, com uma coragem incrível, esses povos derrubaram regimes em nome de valores caros para nós, como liberdade, democracia, justiça e direitos humanos” (VEJA 2208, 16/03/2011). Sem a ajuda de ninguém mesmo.

Ao mesmo tempo, a petição da Avaaz circula em todas as redes culturais do país para pedir uma intervenção militar na Líbia – chamar isso de “no-fly zone” não muda coisa nenhuma. Congelar ou bloquear Kaddafi, levar apoio para as populações, tudo isso não basta: precisaria que a OTAN fosse salvar o planeta, do mesmo modo que ela está fazendo com tanto sucesso no Afeganistão. A carta é dirigida para Catherine Ashton, Alta-Representante da EU, e não para Antônio de Aguiar Patriota, Ministro brasileiro das Relações Exteriores. O Brasil participe atualmente do Conselho de Segurança da ONU, mas isso não importa.

O mesmo prisma maniqueísta que serve todas as mídias de massa permite relatar fatos sem dar explicações, apresentar interpretações menores como demonstrações irrevogáveis. Em um mundo onde tudo é simples, é verdade que as soluções estão ao alcance da mão – e todos aqueles que as recusam são islamo-esquerdistas. Ou pior ainda.

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Comments
One Response to “Des Talibans en Libye: les Arabes vus du Brésil”
  1. Novos ares na política brasileira

    Estamos reorganizando o Partido Pirata

    http://blogs.estadao.com.br/link/a-volta-dos-piratas/

    Compartilhe suas idéias conosco!

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